19 de junho de 2016

Você me vê inteira, mas sou feita de pedaços



Olho para dentro e vejo que muita coisa já está no lugar. Já consigo vislumbrar uma forma, embora ainda não seja capaz de compreendê-la totalmente. Ainda há pedaços soltos e, por enquanto, não me atrevo a tocá-los. No momento são cortantes e acho que podem doer muito. Talvez ainda sejam do começo... De quando eu era feita de um vidro frágil e com poucas possibilidades de proteção. Pouca gente sabe, mas houve um tempo em que qualquer toque era capaz de me quebrar em vários pedaços. Hoje não.

Hoje tenho armaduras que são ativadas em momentos específicos, mas não me atrapalham "o sentir" e "o olhar". Apenas confio em mim o suficiente para saber que não serei mais quebrada facilmente. Meu material é outro. Não é vidro. Não é frágil. Porém, também não é pedra. É sensível a ponto de poder captar as delicadezas da vida. Também é firme, pois é preciso sustentar os passos numa caminhada. Não sou mais o que era antes, isso é fato. Me reinvento todos os dias e uma hora ou outra mais um pedaço se junta e se transforma.

Embora um tanto crítica, gosto do que vejo. Do que sou. Vou seguindo um caminho que não é dos mais fáceis, porém é capaz de despertar gratidão. Levo comigo uma cesta de aprendizados, os quais jamais esquecerei. Dos pedaços que ainda faltam, tenho c'alma. Que ninguém me apresse, me force ou me imponha, vou tocando no meu tempo e do meu jeito. Dizem que paciência é uma virtude: maior mentira! Paciência é uma prática que você aprende depois de falhar muitas vezes ao tentar dominar o tempo. Porque o tempo tem seu próprio ritmo, mas essa é outra história.
Reações: